terça-feira, 30 de junho de 2009

Santa paciência!

Você conhece essa expressão? Pois é, o ditado popular reconhece que a paciência não é uma virtude natural do homem. Ela vem de Deus.

O mundo de hoje está carente de paciência. Como disse Lenine: “o mundo vai girando cada vez mais veloz… a vida não pára”. Restaurantes fast-foods, formação acadêmica em dois ao invés de quatro anos, os processadores que se tornam cada vez mais velozes para driblarem a nossa impaciência diante do computador. É verdade, o mundo não espera e atropela aqueles que se mostram mais pacientes. Quantas mulheres você conhece que depois de ganharem uma linda orquídea aguardam pacientemente um ano inteirinho para vê-la florescer novamente?

Como não poderia deixar de ser, a bíblia também nos ensina acerca da paciência. Sem dúvida é uma virtude que precisa ser aprendida e treinada, mas acima de tudo, ela é fruto do Espírito. O que isso significa? Que devemos buscar de Deus essa virtude, pois é Ele quem produz esse fruto em nós. “Mas o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, PACIÊNCIA, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio. Contra essas coisas não há lei” (Gálatas 5.22-23).

Penso que a paciência também está diretamente ligada à fé em Deus. Se eu conheço a Deus e creio em suas promessas, fica mais fácil esperar com confiança, ser perseverante, ter paciência. Isso explica porque Jó passou por todo aquele sofrimento pacientemente. Ele não foi passivo, mas paciente. O primeiro versículo de Jó diz que ele era “homem íntegro e reto, temente a Deus e que se desviava do mal” (Jó 1.1). Ser paciente foi um exercício da sua fé. Ele enxergava longe, conhecia a fidelidade do Senhor. “Nenhum dos que esperam em ti ficará decepcionado” (Salmo 25.3).

No Novo Testamento vemos os cristãos encorajando uns aos outros a terem paciência e serem perseverantes olhando para Deus. Tiago foi um deles ao dizer: “Irmãos, sejam pacientes até a vinda do Senhor. Vejam como o agricultor aguarda que a terra produza a preciosa colheita e como espera com paciência até virem as chuvas do outono e da primavera. Sejam também pacientes e fortaleçam o seu coração, pois a vinda do Senhor está próxima... Vocês ouviram falar sobre a perseverança de Jó e viram o fim que o Senhor lhe proporcionou. O Senhor é cheio de compaixão e misericórdia” (Tiago 5.7-9,11).

Precisamos de paciência para as urgências do dia-a-dia e também para esperar por aquilo que demora a chegar. Em ambos os casos, é importante saber que “até os jovens se cansam e ficam exaustos, e os moços tropeçam e caem; mas aqueles que esperam no Senhor renovam as suas forças; Voam alto como águias; correm e não ficam exaustos, andam e não se cansam” (Isaías, 40.30-31).

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Encontro em Samaria

Jesus estava ali de passagem, era o meio do caminho da sua viagem entre a Judéia e a Galiléia. O sol estava a pino e ele estava cansado. Com fome e sede sentou-se perto de um poço. Pediu água a uma mulher samaritana. Ele a conhecia muito bem, mas ela, inocente, não sabia com quem estava falando. Onde já se viu um judeu falar com uma samaritana? Ainda mais um homem se dirigir a uma mulher! Jesus surpreendia todo mundo com suas atitudes.
Ele disse a ela: “Se você conhecesse o dom de Deus e quem lhe está pedindo água, você lhe teria pedido e ele lhe teria dado água viva... quem beber dessa água terá sede outra vez, mas quem beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede. Ao contrário, a água que eu lhe der se tornará nele uma fonte de água a jorrar para a vida eterna” (João 4.10,13-14).

Do que Jesus estava falando? Ele sempre falava em parábolas, a mulher samaritana não entendeu de primeira. Achou que ele tinha um líquido mágico que faria um ser humano nunca mais precisar de água. Já pensou que bom seria nunca mais ter que tirar água do poço e carregar o vaso pesado até em casa para dar aos filhos e aos animais? Ela se livraria de um grande fardo.

Como o ser humano é limitado. Entende tudo ao pé da letra. Jesus falava de algo muito mais profundo. Em outra ocasião explicou o que era a tal da água viva. “’Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva’. Ele estava se referindo ao Espírito, que mais tarde receberiam os que nele cressem.” (João 7.37-39).

A água viva citada por Jesus é o Espírito Santo. É o próprio Deus vivendo em nós e isso, somente isso, nos satisfaz completamente. Se permitirmos que Ele viva em nós, nunca mais teremos “sede”!

Aproximadamente 60% do corpo de um adulto é composto por água. Um ser humano é capaz de sobreviver (apenas) de 3 a 5 dias sem ingerir água. Sem dúvida é um elemento vital. Sem água não sobrevivemos. A água nos mantêm vivos nesse mundo, mas a água viva, que Jesus oferece, nos dá vida eterna!

Depois de um encontro com Jesus nunca mais somos os mesmos. A mulher samaritana voltou pra casa transformada. Ela tinha encontrado o Salvador! E a promessa de Jesus se cumpriu nela imediatamente. Ele disse: “Do seu interior fluirão rios de água viva”. Ela voltou para a sua casa e espalhou as boas novas para os vizinhos. A água viva fluiu em Samaria.

Eu quero beber dessa água. E você?

“Verdades antigas são sempre novas se elas vêm acompanhadas do cheiro e do sabor do céu” (John Bunyan, autor de O Peregrino).

Escrito por Aline Cândido

terça-feira, 9 de junho de 2009

Como criança


Você se lembra do tempo em que era criança? Há uns dias atrás, entre amigos, recordamos alguns momentos da nossa infância. Qual era a brincadeira preferida? O aniversário inesquecível? Qual passeio ou viagem foram muito especiais? Qual foi a grande traquinagem que aprontamos? Rimos juntos das histórias que contamos ali. Lembrar da infância geralmente traz boas lembranças. Era uma época de inocência, não conhecíamos o orgulho, nem a arrogância. A criança é simples, humilde, e por ter pouca ou quase nenhuma experiência, ela é ensinável.

Depois de refletir sobre isso entendi melhor o que Jesus quis dizer na passagem de Lucas 18.16: “Jesus chamou a si as crianças e disse: ‘Deixem vir a mim as crianças e não as impeçam; pois o Reino de Deus pertence aos que são semelhantes a elas. Digo-lhes a verdade: Quem não receber o Reino de Deus como uma criança nunca entrará nele’”.

Os pequeninos não duvidam, não tem medo de se entregar, não confiam em sua própria inteligência e não se fazem independentes.

Quando subiu ao trono, Salomão devia ter aproximadamente 20 anos. Ele era jovem e inexperiente, mas humilde o bastante para reconhecer isso. Ele era ensinável e queria aprender com o Grande Rei. “Ó Senhor, meu Deus, tu fizeste reinar teu servo em lugar de Davi, meu pai; não passo de uma criança, não sei como conduzir-me... Dá, pois, ao teu servo coração compreensivo para julgar a teu povo, para que prudentemente discirna entre o bem e o mal, pois quem poderia julgar a este grande povo?" (1Reis 3.7-9)

Jeremias também era novo quando recebeu o chamado para ser profeta. Ele disse: “Ah, Senhor Deus! Eis que não sei falar, porque não passo de uma criança.” (Jeremias 1.6).

Algo me diz que é desses que Deus gosta – “o Reino de Deus pertence aos que são semelhantes às crianças”. Quando o homem deixa de lado todo orgulho e arrogância que adquire ao longo da vida e se coloca diante de Deus como uma criança, Deus não resiste e faz dele uma grande pessoa! Salomão foi o homem mais sábio de Israel. Jeremias foi um grande profeta e sacerdote, que cumpriu sua missão com coragem e determinação em uma das épocas mais difíceis para o seu povo.

“Deixem vir a mim as crianças”. O melhor lugar para uma criança estar é perto de Jesus, ainda que essa criança seja você mesmo.

Não deixemos que a idade adulta leve embora o brilho e a humildade da criança que existe em cada um de nós. Sejamos como Davi que, como criança, aprendeu a se entregar completamente a Deus:

“Senhor, o meu coração não é orgulhoso e os meus olhos não são arrogantes. Não me envolvo com coisas grandiosas nem maravilhosas demais para mim. De fato, acalmei e tranquilizei a minha alma. Sou como uma criança recém-amamentada por sua mãe; a minha alma é como essa criança. Ponha a sua esperança no Senhor, ó Israel, desde agora e para sempre!” Salmo 131

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Ser humano não é ser Deus



Ah, o ser humano! Que bichinho inteligente Deus criou!

Basta parar um pouco, olhar para os lados e ver quanta coisa o homem desenvolveu, estudou, descobriu, inventou. Realmente somos seres muito inteligentes e muito capazes. Deus nos fez assim.

Mas foi exatamente essa inteligência (somada ao livre arbítrio), que levou o homem a querer ser independente de Deus. Cada vez mais conseguimos nos virar sozinhos, somos independentes uns dos outros, levamos a nossa própria vida como desejamos, tudo está ao nosso alcance, principalmente hoje, com toda essa tecnologia e a globalização.

Fico pensando como Deus nos enxerga. Apesar de toda capacidade humana, Deus é infinitamente maior que todos nós. Não há comparação, não estamos no mesmo patamar. Como disse Isaac Newton, “o que sabemos é uma gota, o que ignoramos é um oceano” e mesmo assim fazemos planos, certos de que podemos desenhar o futuro.

Ainda bem que Deus nos puxa a orelha de vez em quando e nos mostra quem realmente somos ao nos lembrar das nossas limitações. Gosto de meditar sempre no versículo que diz: “Quem de vocês, por mais que se preocupe, pode acrescentar uma hora que seja à sua vida?” (Lucas 12.25). Com todo o nosso conhecimento e a medicina avançada, “achamos” que adiamos a morte, mas é Deus quem define o dia em que nascemos e o dia em que morreremos. Nada do que façamos pode mudar isso!

Tiago, irmão de Jesus, já tinha aprendido essa lição quando disse: “Ouçam agora, vocês que dizem: ‘Hoje ou amanhã iremos para esta ou aquela cidade, passaremos um ano ali, faremos negócios e ganharemos dinheiro’. Vocês nem sabem o que lhes acontecerá amanhã! Que é a sua vida? Vocês são como neblina que aparece por um pouco de tempo e depois se dissipa. Ao invés disso deveriam dizer: ‘Se o Senhor quiser, viveremos e faremos isto ou aquilo’” (Tiago 4.13-15).

Para os orgulhosos é difícil admitir que Deus é realmente soberano e que a nossa vida, (70 anos, em média), não é nada diante de todos os anos da eternidade. Para os humildes admitir isso é ter certeza de proteção. É confortante saber que as coisas não dependem somente de mim, mas estão nas mãos de alguém que é muito mais capaz, inteligente e poderoso do que eu. E que Ele sabe, sempre, qual é o melhor caminho para mim.

“O Deus que fez o mundo e tudo o que nele há é o Senhor dos céus e da terra, e não habita em santuários feitos por mãos humanas. Ele não é servido por mãos de homens, como se necessitasse de algo, porque ele mesmo dá a todos a vida, o fôlego e as demais coisas.” (Atos 17.24-25)

Quer planejar e dar passos certos rumo ao futuro? “Consagre ao Senhor tudo o que você faz, e os seus planos serão bem-sucedidos” (Provérbios 16.3).

“Pois nele vivemos, nos movemos e existimos” Atos 17.28.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

O que vem depois?


Largar as rédeas, “perder” o controle, tirar as mãos do leme... como é difícil às vezes confiar plenamente. A gente insiste em tentar controlar a vida, administrar as variáveis, viver com os pés firmes no chão, sabendo sempre quais serão os próximos passos. É engraçado ver em algumas passagens da Bíblia como Deus fez questão de fazer surpresa sobre os acontecimentos seguintes.

“A palavra do Senhor veio a Jonas pela segunda vez com esta ordem: ‘Vá à grande cidade de Nínive e pregue contra ela a mensagem que eu lhe darei’” (Jonas 3.1-2). A mesma coisa ele fez com Abrão: “Então o Senhor disse a Abrão: Saia da sua terra, do meio dos seus parentes e da casa de seu pai, e vá para a terra que eu lhe mostrarei” (Gênesis 12.1).

Por que Ele não fez um mapa para Abrão? E por que não disse a Jonas naquele momento qual era a mensagem para a cidade de Nínive?

Saber o que vai acontecer daqui a pouco nos dá uma certa segurança. Mas acho que não era esse tipo de sentimento que Deus queria gerar em Abrão e em Jonas. Ele queria que ambos confiassem totalmente nele, como uma criança confia em seus pais sabendo que eles não lhe farão mal.

A morte de Lázaro é outro bom exemplo. Os irmãos Lázaro, Marta e Maria eram amigos de Jesus. Aconteceu que Lázaro ficou doente e suas irmãs mandaram um recado ao Mestre avisando-o sobre Lázaro. Jesus sabia exatamente o que ia acontecer, tanto que comentou com os discípulos: “Essa doença não acabará em morte, é para a glória de Deus, para que o Filho de Deus seja glorificado por meio dela” (João 11.4). Ele falou isso entre os discípulos, mas não contou a Lázaro nem às suas irmãs.

Jesus ainda ficou mais dois dias onde estava e, nesse meio tempo, Lázaro morreu. Quem já perdeu algum querido sabe quanta tristeza a morte nos traz. Com Maria e Marta não foi diferente, elas estavam sofrendo e quando viram Jesus logo falaram: “Senhor, se estivesse aqui meu irmão não teria morrido” (João 11.21). Por que Jesus deixou que isso acontecesse? Por quê?

Para fortalecer a fé e a confiança deles em Deus. “Lázaro morreu, e para o bem de vocês estou contente por não ter estado lá, para que vocês creiam.” (João 11.14-15). Na continuação da história vemos que Jesus ressucitou Lázaro e todos os que estavam ali creram.

Então esse é o propósito de Deus! Ele sempre deixa uma surpresinha no final para que possamos crer e confiar somente e totalmente nele! Não deve ter sido fácil para Abrão e Jonas obedecerem e confiarem plenamente. Mas o resultado dessa confiança ficou registrado na bíblia: Deus fez de Abrão uma bênção e por meio dele todos os povos da terra foram abençoados (Gênesis 12.2-3); toda a cidade de Nínive (mais de 120.000 pessoas) abandonaram seus maus caminhos e por isso não foram destruídos (Jonas 3.10).

“É melhor buscar refúgio no Senhor do que confiar nos homens” (Salmo 118.8).

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Fogo destruidor

Se você soubesse que brincar com fósforos poderia causar a destruição de 153 km2, 21 casas e matar ao menos sete pessoas, você ainda assim brincaria? Acho que não. Foi assim que começou um dos incêndios mais devastadores da Califórnia, em outubro de 2007. Um menino de dez anos admitiu ter iniciado o incêndio quando brincava de pôr fogo em uma escova no quintal de casa*. Uma ação tão pequena e “inocente” que tomou proporções gigantes e teve consequências irreparáveis.

É assim que Tiago nos alerta sobre o perigo da língua. “A língua é um pequeno órgão do corpo, mas se vangloria de grandes coisas. Vejam como um grande bosque é incendiado por uma simples fagulha. Assim também, a língua é um fogo; é um mundo de iniquidade... contamina a pessoa por inteiro, incendeia todo o curso de sua vida, sendo ela mesma incendiada pelo inferno” (Tiago 3.5-6).

Forte, não? “Toda espécie de animais, aves, répteis e criaturas do mar doma-se e tem sido domada pela espécie humana; a língua, porém, ninguém consegue domar. É um mal incontrolável, cheio de veneno mortífero” (Tiago 3.7-8).

Como pode um músculo tão pequeno causar tanto mal? Na verdade a língua é uma faca de dois gumes: “Com a língua bendizemos o Senhor e Pai, e com ela amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus... meus irmãos, não pode ser assim!” (Tiago 3.9-10).

Mesmo depois de sermos renovados por Deus, percebemos que o pecado continua habitando em nós. Há uma mistura de corrupção em cada coisa que fazemos pois a velha natureza ainda está lá, convivendo com a nova. Veja o desabafo do apóstolo Paulo em Romanos 7.19-20: “Pois o que faço não é o bem que desejo, mas o mal que não quero fazer, esse eu continuo fazendo. Ora, se faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, mas o pecado que habita em mim”.

Por isso que Domínio Próprio é um fruto do Espírito (Gálatas 5.22-23). Devemos submeter a nossa língua à Deus e pedir ajuda a Ele para controlá-la. “Coloca, Senhor, uma guarda à minha boca; vigia a porta de meus lábios” (Davi, Salmo 141).

“A língua tem poder sobre a vida e sobre a morte; os que gostam de usá-la comerão do seu fruto” (Provérbios 18.21).

*Fonte: G1

quinta-feira, 30 de abril de 2009

O caderno

Ela acordou e sentou-se na cama. Precisava seguir, tinha que encontrar forças para viver mais um dia. As últimas semanas tinham sido tão difíceis! Parece que o mundo resolveu virar as costas para ela e pela primeira vez, ela se sentiu só. Queria chorar, gritar, pedir socorro, mas não tinha forças, foi a nocaute no terceiro round. Um problema só era pouco, parecia que tudo tinha dado errado. Problemas em casa, no emprego, com os filhos, conflitos pessoais e agora uma doença. Ela precisava de ajuda, mas não conseguia nem levantar da cama naquela manhã.

Virou para o lado e viu o criado mudo. Hoje aquele amigo quieto queria falar. Embaixo dos livros ela viu um caderno empoeirado. O caderno era seu, mas há muito tempo não o via. Quando foi mesmo a última vez que o abri?, ela pensou. Abriu e folheou algumas páginas. “Muito obrigada Senhor! Obrigada por ter salvo meu irmão da morte naquele acidente! Maio/1989”. Pulou algumas páginas e leu: “O Senhor é meu pastor e nada me faltará. Hoje vi que esse versículo é verdadeiro quando Deus proveu o dinheiro que faltava para pagar a prestação da casa. Janeiro/1993”. Ela se ajeitou na cama, seus olhos saltaram e ela começou a ler outra página. “Deus é Deus do impossível. Ele curou meu filho de uma doença inexplicável. Os médicos ficaram boquiabertos e tiveram que reconhecer que realmente somente Deus poderia tê-lo curado. Aleluia! Setembro/1995.” “Obrigada pela chuva de hoje. Ela aliviou a bronquite da minha filhinha. Obrigada por se importar com as pequenas coisas também, Senhor. Julho/1996.”

Ela se animou e leu páginas e páginas nos minutos seguintes. Tinha se lembrado do que era aquele caderno. Há muitos anos tinha decidido colocar no papel os “presentes” que recebia em sua vida. “O homem tem memória curta”, ela dizia, “Não quero ser ingrata com Deus”. E ao ler algumas frases ela lembrou de tudo pelo que já havia passado e de tudo o que Deus havia feito por ela. Começou a ler em voz alta os versículos que tinha escrito ali. “O Senhor é bom e o seu amor leal é eterno; a sua fidelidade permanece por todas as gerações (Salmo 100.5); “Deus é o nosso refúgio e a nossa fortaleza, auxílio sempre prsente na adversidade (Salmo 46); “Eu porém, confio em teu amor, o meu coração exulta em tua salvação. Quero cantar ao Senhor pelo bem que me tem feito (Salmo 13. 5-6)”.

Lágrimas rolaram pelo seu rosto. Os acontecimentos dos últimos dias fizeram com que ela se esquecesse do poder de Deus, do poder da oração. Tiago disse “Entre vocês há alguém que está sofrendo? Que ele ore. Há alguém que se sente feliz? Que ele cante louvores... a oração de um justo é poderosa e eficaz” (Tiago 5.13,16).

E então ela orou. De coração, com convicção, com fervor. E o Senhor ouviu.

“Bendiga o Senhor a minha alma! Não esqueça nenhuma de suas bênçãos!” Salmo 103.2

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Fé viva - mãos à obra!


Você já reparou como algumas pessoas discursam contra a corrupção dos políticos no Brasil, mas acabam se corrompendo nas atividades do dia-a-dia? Acusam os “ladrões de Brasília”, mas furam filas, sonegam impostos e usam o jeitinho brasileiro para tirar proveito em algumas situações. Ou mesmo algumas empresas que adotaram um discurso ecológico para ganhar clientes, mas não mudaram seus hábitos para preservar o planeta. Seu discurso é correto, mas falam “da boca para fora”.

Tiago é incisivo ao dizer em sua carta “A fé sem obras é morta”.
“Se um irmão ou irmã estiver necessitando de roupas e do alimento de cada dia e um de vocês lhe disser: 'Vá em paz, aqueça-se e alimente-se até satisfazer-se', sem porém lhe dar nada, de que adianta isso? Assim também a fé, por si só, se não for acompanhada de obras, está morta” (Tiago 2.15-17).
Dar assistência aos necessitados é parte das atribuições dos cristãos. Jesus mesmo agiu assim quando viveu como homem na terra.

Porém o ensinamento de Tiago não terminou nesse versículo. Ele ainda citou exemplos de Abraão e Raabe. “Não foi Abraão, nosso antepassado, justificado por obras, quando ofereceu seu filho Isaque sobre o altar? Você pode ver que tanto a fé como as obras estavam atuando juntas, e a fé foi aperfeiçoada pels obras. Cumpriu-se assim a Escritura que diz: 'Abraão creu em Deus, e isso lhe foi creditado como justiça', e ele foi chamado amigo de Deus. Vejam que uma pessoa é justificada por obras, e não apenas pela fé. Caso semelhante é o de Raabe, a prostituta: não foi ela justificada pelas obras, quando acolheu os espias e os fez sair por outro caminho? Assim como o corpo sem espírito está morto, também a fé sem obras está morta” (Tiago 2.21-26).

Aqui Tiago não está mais falando de assistencialismo. Ele fala de atitudes que demonstram a nossa fé. É como pôr em prática aquilo que falamos e cremos. Sem atitudes, nossa fé é morta e nossa palavra vazia.

Abraão tinha Deus como Senhor de sua vida, e quando foi colocado à prova não hesitou em entregar seu único filho. Ele amava a Deus sobre todas as coisas e agiu de acordo com sua fé levando Isaaque para ser sacrificado (Gênesis 22).

Já a prostituta Raabe morava em uma terra que seria ocupada pelos israelitas, ela não fazia parte do povo de Deus, mas cria e confessou sua fé aos espias. “Sei que o Senhor lhes deu esta terra... o Senhor, o seu Deus, é Deus em cima nos céus e embaixo na terra” (Josué 2.8-11). Ao escondê-los em sua casa, Raabe agiu conforme sua fé. Ela sabia que o Deus dos israelitas era Senhor, e fez de tudo para ajudar aqueles que o serviam.

Acho que a lição que Tiago quis nos ensinar é muito mais profunda do que somente fazer boas obras. O que aprendi de Tiago hoje, é que devemos agir como cremos, pôr em prática o cristianismo que tanto defendemos. Não existe fé só de palavras, não dá pra ser cristão só da boca pra fora. Se cremos em Deus, nossas atitudes têm que demonstrar a nossa fé. E isso é muito mais profundo.

“As boas obras são tais que um homem não pode ser justificado por elas nem sem elas”. João Calvino

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Pára o mundo que eu quero descer!


É impressão minha ou o tempo está passando depressa demais? Ok, isso já virou chavão e assunto comum nas conversas por aí. Parece que apertaram o Fast Forward* no mundo e às vezes a nossa cabeça e o nosso corpo não acompanham o ritmo. São tantos os compromissos e as obrigações. São tantos assuntos que passam pelo nosso cérebro em questão de segundos! É óbvio que o resultado disso tudo tem que ser o estresse. O corpo e a mente não acompanham o ritmo da vida moderna e nos sentimos cada vez mais cansados e sobrecarregados.

Acho curioso que a bíblia, escrita na época em que não havia engarrafamentos no trânsito, traga uma lição tão valiosa sobre o estresse. A bíblia foi inspirada por Deus, mas escrita por homens, para que os homens que a lêem se identifiquem e possam aprender os ensinamentos contidos nela. Particularmente sempre lembro dessa história quando passo por um período difícil de estresse, ou quando me sinto cansada, perdida, sobrecarregada e impotente diante das situações.

Estou falando do profeta Elias e do período de sua vida descrito no livro de 1Reis, do capítulo 16.29 até 19.21.
Na época o rei de Israel era Acabe, ele casou com Jezabel e passou a prestar cultos a Baal, provocando a ira de Deus. Jezabel começou a perseguir e exterminar os profetas do Senhor (18.4). Elias desafiou o rei e todos os profetas de Baal no monte Carmelo (quem não sabe a história, leia, é de arrepiar! - 1Reis 18.16-46). Com a ajuda de Deus Elias saiu perfeitamente vencedor, ele foi ousado e corajoso e o Senhor estava com ele. Acontece que depois disso Jezabel o ameaçou de morte e Elias ficou desanimado e deprimido. “Elias teve medo e fugiu para salvar a vida” (19.3). “Chegou a um pé de giesta, sentou-se debaixo dele e orou pedindo a morte: ‘Já tive o bastante, Senhor. Tira a minha vidda; não sou melhor do que os meus antepassados’” (19.4).

Elias passou por momentos tão difíceis que, mesmo apesar da vitória, suas emoções estavam em frangalhos. Ele se estressou.
O curioso é ver como Deus cuidou de Elias nesse período. Vejam os versículos seguintes: “Elias deitou-se debaixo da árvore e dormiu. De repente um anjo tocou nele e disse: ‘Levante-se e coma’. Elias olhou ao redor e ali, junto à sua cabeça, havia um pão assado sobre brasas quentes e um jarro de água. Ele comeu, bebeu e deitou-se de novo. O anjo do Senhor voltou, tocou nele e disse: ‘Levante-se e coma, pois a sua viagem será muito longa.’ Então ele se levantou, comeu e bebeu. Fortalecido com aquela comida, viajou quarenta dias e quarenta noites, até chegar a Horebe, o monte de Deus. Ali entrou numa caverna e passou a noite.” (18.5-9).
Primeiro Deus curou seu cansaço físico. Elias precisava comer e dormir e Deus providenciou um pãozinho bem quentinho para ele (hum, que delícia!).

Depois de estar bem fisicamente, Deus o levou ao monte Horebe (monte Sinai), local onde Deus se revelou a Moisés. Lá o Senhor lhe disse: “Saia e fique no monte, na presença do Senhor, pois o Senhor vai passar”. Então veio um vento fortíssimo que separou os montes e esmigalhou as rochas diante do Senhor, mas o Senhor não estava no vento. Depois do vento houve um terremoto, mas o Senhor não estava no terremoto. Depois do terremoto houve um fogo, mas o Senhor não estava nele. E depois do fogo houve um murmúrio de uma brisa suave. Quando Elias ouviu, puxou a capa para cobrir o rosto, saiu e ficou à entrada da caverna” (18.11-13).

Todos esses fenômenos (vento, terremoto, fogo) foram criados por Deus, mas às vezes Ele quer se manisfestar com um sussurro. Ele quer falar com a gente como uma brisa tranquila e suave. Ao contrário do estresse que nos agita, Deus nos acalma.

Elias precisou subir ao monte, ficar sozinho por um tempo e ouvir Deus. Isso me lembra Jesus. Por muitas vezes ele deixou a multidão e subiu ao monte para orar. Ele separou um tempo para estar a sós com o Senhor, um tempo em que ele silenciava o mundo e se abria para Deus. Se fizermos isso, com certeza Ele nos restaurará.

Elias desceu do monte completamente curado e cheio de tarefas novas (19.15-18). Você notou alguma semelhança com a sua vida? Pois é, parece que o mundo realmente não dá trégua, mas cabe a nós separar alguns minutos (horas ou dias) para “subir ao monte” e ser completamente restaurado por Deus. Ele nos dá um novo fôlego de vida.

“Graças ao grande amor do Senhor é que não somos consumidos, pois as suas misericórdias são inesgotáveis. Renovam-se cada manhã; grande é a sua fidelidade!” Lamentações 3.22-23

*Fast Forward: avançar rapidamente (botão presente em aparelhos de som, DVDs, etc).

quinta-feira, 9 de abril de 2009

As mãos do carpinteiro

Foi José de Arimatéia quem teve a honra de descer o corpo de Jesus da cruz. Imagine como seria ter de retirar as mãos frias e sem vida do Filho de Deus que estavam pregadas com aqueles grossos cravos romanos. Eram mãos de um carpinteiro, que um dia seguraram pregos e madeira. Eram mãos que partiram o pão e alimentaram multidões e que, agora, estavam sendo partidas para alimentar multidões.

Certa vez, aquelas mãos colocaram lama nos olhos de um cego, tocaram em leprosos, curaram doentes, lavaram os pés dos discípulos e abraçaram crianças.
Estes eram os dedos que escreveram na areia quando a mulher adúltera foi atirada aos seus pés e que, pelo amor ao Pai, seguraram firmes num chicote para purificar seu templo dos cambistas. Eram os mesmos dedos que pegaram o pão e o mergulharam em um prato, e o deram a Judas, num gesto de profundo amor e amizade. Aqui estava o próprio pão da vida, sendo afundado na taça do sofrimento, como o gesto final do amor de Deus para com o mundo maldoso, representado por Judas.

José de Arimatéia estava envergonhado de não ter confessado o Mestre, e seu sentimento aumentava enquanto ele rasgava os pés ensopados de sangue dos cravos que mediam 15 cm e o prendiam à cruz. Estes eram os “belos pés” daquele que anunciava o evangelho da paz, os pés que Maria lavou com seus cabelos, que caminharam sobre o mar da Galiléia, mas que agora estavam mergulhados num mar de sangue.

Enquanto retirava Jesus da cruz, José talvez tenha olhado por um instante para aquele rosto sem vida, para o rosto do Filho de Deus. Talvez seu coração tenha ficado apertado diante daquela imagem. Este rosto, que outrora irradiava a glória de Deus no monte da Transfiguração, para o qual tantas pessoas olharam com tamanha veneração, estava agora totalmente manchado do sangue que escorreu da coroa de espinhos, que fora cravada na sua cabeça. Aquele rosto apresentava uma palidez incrível, era o rosto de quem havia carregado o sofrimento do mundo inteiro sobre si.

Como está escrito: “…sua aparência estava tão desfigurada, que ele se tornou irreconhecível como homem” (Isaías 52.14). “Mas ele foi traspassado por causa das nossas transgressões, foi esmagado por causa de nossas iniquidades; o castigo que nos trouxe paz estava sobre ele… O Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de todos nós. Ele foi oprimido e afligido; e, contudo, não abriu a sua boca; como um cordeiro foi levado para o matadouro… por causa da transgressão do meu povo ele foi golpeado… Contudo, foi da vontade do Senhor esmagá-lo e fazê-lo sofrer… pelo seu conhecimento meu servo justo justificará a muitos, e levará a iniquidade deles” (Isaías 53.5-11).

Jesus de Nazaré foi despido de suas roupas, para que fôssemos vestidos com a pura justiça. Ele teve uma sede mortal para que nossa sede por vida pudesse ser saciada. Ele agonizou debaixo da maldição da Lei, para que pudéssemos desfrutar as bênçãos do evangelho. Ele carregou no seu corpo o ódio do mundo inteiro, para que pudéssemos experimentar o amor de Deus. O inferno caiu sobre ele para que o céu viesse sobre nós. Jesus de Nazaré experimentou o amargor da morte, para que pudéssemos experimentar a doçura da vida eternal. O Filho de Deus entregou sua vida voluntariamente, para que a morte pudesse passar longe dos filhos e filhas de Adão.

Que a cruz do Calvário possa ser tão real para nós quanto foi para os que pisaram naquela terra ensanguentada naquele dia terrível. Que nós também possamos fitar aquela face do Cristo crucificado e que a vergonha possa nos deixar de coração apertado, caso algum dia tenhamos de sentir qualquer tipo de temor do que os homens possam nos fazer. Que possamos nos identificar com o apóstolo Paulo, que poderia ter se vangloriado de sua experiência dramática e miraculosa no caminho de Damasco, mas, em vez disso, preferiu pasmar e suspirar diante do grande amor de Deus:
“Quanto a mim, que eu jamais me glorie, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, por meio da qual o mundo foi crucificado para mim, e eu para o mundo (Gálatas 6.14).

Extraído e adaptado da Bíblia NVI Evangelismo em Ação: compilada por Ray Comfort.